segunda-feira, novembro 01, 2010

Os dias e as suas histórias




Em 2 de Novembro de 1921, Margaret Louise Higgins Sanger (1879-1966), activista norte americana, funda a Liga Americana para o controlo da Natalidade. Num contexto em que tal atitude se justificava como forma de evitar o nascimento de crianças com doenças hereditárias graves. A sua militância em torno do controlo da natalidade passava também por uma política de controlo à imigração numa época em que a revolução dos transportes tinha aproximado o Velho Continente do Novo Mundo, em 1932 propôs ao Congresso norte-americano a criação de um Departamento que tivesse como finalidade objectiva a proibição da entrada de certos estrangeiros cuja condição fosse prejudicial à sanidade da raça, enumerando na obra “A Plan For Peace”, "... os indivíduos considerados como retardados mentais, disléxicos, idiotas, loucos, lentos, portadores de sífilis, epilépticos, criminosos, prostitutas profissionais e outras classes que eram limitados pela lei da imigração de 1924". Admitiu ainda o direito ao aborto como forma de evitar o nascimento de crianças mal formadas geneticamente, de resto as suas posições mereceram a sua detenção por várias vezes pelas autoridades do seu País. A pobreza a ignorância era outra das questões que considerava como sendo responsável pela pobreza das raças e argumentava que “Só há uma cura para ambas e que é de parar de trazer ao mundo filhos cujos pais não podem sustentá-los”. Apesar de ser considerada uma das principais activistas do controlo de natalidade do século XX a sua figura ficará ligada para sempre às ideias e práticas, de eugenismo e racismo, que marcariam as práticas das opções totalitárias nos anos trinta no Ocidente de forma trágica para milhões de seres humanos.